Em meio a tantos descalabros do comportamento humano com a violência atual, passou com menor atenção que deveria ter a ação de justiceiros em Ji-Paraná, que espancaram dois rapazes de 20 anos, acusados de praticarem roubos em bairros da cidade, e os obrigaram a pular no segundo maior rio da cidade. Um dos espancados acabou falecendo, sendo encontrado quase dois dias depois de ter sido obrigado a pular no rio.
O fato pode ser o registro de um novo comportamento da população, que passa a demonstrar cada vez mais intolerância ante o avanço da criminalidade sobre os cidadãos de bem. O que preocupa é que com esse tipo de comportamento haverá cada vez menos cidadãos de bem e cada vez mais criminosos.
Quando uma pessoa julga e condena outra com as próprias conclusões e dá a si mesmo o direito de praticar a punição comete crime de exercício arbitrário das próprias razões. Por mais que seja difícil a convivência nos dias atuais com o sentimento de impunidade por parte das instituições que deveriam punir os criminosos, o cidadão tem que ter a consciência de que será ele o maior prejudicado caso pratique crimes de alguma natureza, principalmente por vingança, sempre rondando a quem se sente lesado.
O histórico de vários estados brasileiros, como o Rio de Janeiro, exemplo maior da institucionalização do crime por ser a unidade federativa com maior exposição na mídia, deixa claro que a legalização da vingança, ainda que na cabeça das pessoas, consiga resolver algum tipo de problema. Pelo contrário. Isso é a semente de novos crimes, fazendo perpetuar um comportamento que antes só era visto em filmes de gangsters.
É preciso combater a vingança com a mesma forma que se combate o crime, sob pena de dar, ainda que de forma velada, a permissão para que a população se sinta no direito de fazer as suas próprias leis.
Um Estado que busca o desenvolvimento, como acontece em Rondônia, não pode ficar à mercê das intempéries do comportamento humano, inadmissíveis mesmo a cidadãos de conduta ilibada. Para toda punição a crimes existem as leis, embora o sentimento às vezes seja de abandono e por isso se decida quase sempre pela vingança em vez da outra face.
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